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Crescendo (continuação)

Com um estrondo, alguém abriu a porta o suficiente para enfiar a cabeça e olhar pra dentro, deixando derramar luz colorida e música alta pelo cômodo. Quando fixei meus olhos na moça, reconheci imediatamente no padrão de manchas em seu cabelo que ela era uma selkie. Ela olhou com desdém para o corpo que eu não me preocupei em cobrir e soltou uma risada baixa.
- Não vou atrapalhar sua diversão. - depois, virou-se para minha companhia - Você sabe onde está se metendo?
Senti uma pontada de adrenalina. Aquela selkie estava me desmascarando, já que não tinha tido atenção pra enfeitiçá-la também, mas minha companheira levantou seus olhos completamente negros e os estreitou em direção à ela, fazendo um gesto dismissivo para que saísse.
A porta se fechou sozinha, empurrando a selkie e a luz para fora.
- O quê...?
- Eu sei quem você é. Seu feitiço não funciona em mim.
Minha mente ficou em branco por um momento antes que a balbúrdia de perguntas preencherem todo o espaço. Essa situação era tão absurda que nunca tinha pensado nessa hipótese.
- Meu...? Você...? - suguei o ar rapidamente e quase cospi a pergunta mais importante - Por que?
Ela sorriu maliciosamente.
- Queria experimentar você, mesmo correndo riscos. - ela frisou a última palavra me deixando entrever seus dentes pontiagudos e pequenos, que seguiam várias fileiras boca adentro como um tubarão.
Sua pele verde dourada parecia acender quando era tocada por um raiozinho de luz como um inseto, e ela aproximou os lábios da minha orelha enquanto aproximava seu corpo do meu novamente. Sussurrando, perguntou onde tínhamos parado. Me deixei cair novamente no ritmo hipnotizante de seus quadris.

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