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Mostrando postagens com o rótulo março

Aquele Segredo...

Esperei por dias, meses, anos. Esperei que meus olhos secassem e meu peito, se esvaziasse. Esperei que meu canto calasse, e de desgosto, ele calou. O gosto dos meus dias, adocicado e leve, agora é metal. O sol se escondeu, as nuvens fecharam e chove todos os dias. Até minha escrita, mesmo que trêmula e inconstante, fechou-se para mim. Foi como se o céu se apagasse e todas as janelas da minha casa, se fechassem. Tudo na esperança de um raio de sol. Um confeito doce, que desmancha assim que toca a ponta da língua. Uma estrela, rasgando os céus escuros, realizando desejos. Tudo na espera de um som mais alto que o som do vazio que ecoa dentro de mim, uma doce loucura que pega de surpresa. Um descanso, um porto, uma caverna, pra descansar a cabeça e o peito. E nada disso foi em vão. O problema é que a estrela que caiu, dourada e brilhante, não era minha.

Ampulheta

Noites negras e dias brancos. 24 horas consecutivas passadas no completo vazio. E os dias vão passando como quando o vento sopra a chuva, e só vemos as gotículas se perderem no ar. Como quando enfiamos as mãos nuas na água corrente de um rio. Tudo vai passando... As estações começam e terminam e o sopro quente do verão não me atinge, nem o ar seco do outono. As flores da primavera são sem cor, e o vento do inverno passa por mim ressoando nas minhas costelas. E assim vou levando...

A Torre

Naquele reino havia um príncipe belíssimo, cujo pai já estava para morrer. Todos os anos, ele fazia uma competição entre as mulheres para saber quem casaria com ele e seria a rainha, mas como era muito exigente, a última prova sempre rejeitava todas as candidatas. No centro do reino, fora erguida há muito tempo, uma torre. Tão alta, mas tão alta, que não se podia enxergar o pico, que ia distante, furando as nuvens; como um palito furando algodão doce. O príncipe exigia que, para casar-se com ele, deveria-se subir na torre. Ao alcançar o topo, lá ela encontraria um tesouro, e deveria trazê-lo para baixo, para provar que estivera lá em cima. No entanto, a torre era escorregadia, ao chegar muito alto fazia frio, e muitas desistiam só de ver seu tamanho. No entanto, uma jovem resolveu tentar. Não que quisesse realmente casar com o príncipe, mas gostava de desafios. Sendo a torre escorregadia, amarrou nas mãos e nos pés trapos secos, que a permitiam escalar. Sendo acima das nuvens muito f...