Cada vez que sua mão alcançava a minha no alvoroço do momento, cascateavam jóias dos meus olhos. Cada palavra de amor que eu te dizia fazia rolarem pérolas dos meus lábios. Quando seu olhar tocava minha pele, eu sentia o calor do sol mesmo em um quarto escuro. Se seus lábios tocavam os meus, uma brisa envolvia minha alma e a tirava para dançar. Para cada vez que eu sorri para você, brotou uma flor. E, entre elas, caminho para sempre.
Volta e meia me pego olhando para aquela vitrine da antiga loja de brinquedos, que há muito foi fechada mas até hoje ninguém ousou arrombar e roubar. Os vidros já estão amarelados e tudo lá dentro está coberto de poeira, claro, mas os brinquedos parecem conter espíritos vivos dentro de si. De cada prateleira, seus olhos chamejam em nossa direção. De novo olhei para a estante de madeira escura e observei aqueles que sempre vinha ver, e podia jurar que mudavam de direção. Uma boneca, com ar sapeca e maravilhosos cabelos cor de rosa; um marionete de madeira, cujo títere sempre estava seguro em sua mão; e um palhacinho um tanto quanto macabro. Era um daqueles brinquedos educativos... Um poste coberto por aros coloridos de borracha, e na ponta, para segurar os aros, uma cabecinha sorridente de palhaço. Sempre me intrigava aquele brinquedo. Era o que mais parecia se mexer de propósito quando eu não estava olhando, e sorria de modo angelical lá da estante. Durante os últimos dias, tive até pe...
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