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Bailarina

O palco estava vazio e escuro, as luzes apagadas. Nas sombras, porém, podia-se ver a forma de alguém sentado bem no meio dele. Um holofote se ligou no alto, formando uma roda de luz amarela, onde surgia a pálida forma de uma bailarina. Tudo nela era branco: sapatilhas brancas, meias finas brancas, vestidinho branco e cabelos tão platinados que pareciam prateados, caindo-lhe pelas costas.
Levantou-se do chão com a graça e a delicadeza de uma pétala no vento, ficou na ponta dos pés e começou a girar. Em algum lugar, no velho teatro, um piano tristonho começara a tocar. Era uma peça belíssima, cujas notas ressoavam como lágrimas caindo num poço escuro e sem fundo. E a bailarina girava.
Quando a música parou, já amanhecia e a luz começava a entrar pelas janelas no alto do teatro. A luz dourada iluminou as poltronas, as teias de aranha nas cortinas e a grossa camada de pó que cobria o palco, vazio há tanto tempo. 

Fim do primeiro ato.

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