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O Mundo Cinza

Céu cinzento, com nuvens escuras e raios cinzentos de um sol triste. Dias coloridos apenas em diferentes escalas de branco e preto, e até o vento que ressoa pelas ruas trás grãos de poeira cinza. A noite chega cinza suave e vai embora negro profundo. O dia chega cinza frio e vai embora cinza chumbo.
Música cinza, pinturas cinzas, palavras cinzas como cinzas de cigarro; meu único companheiro de tantas noitadas infelizes. Vida escura e amarga como borra de café, que tomo todos os dias na esperança de ainda ver algo mudar.
E mudou. Alguém coloriu as casas da esquina e as florezinhas do meu jardim morto. Com lápis de cor, um desconhecido cobriu os banquinhos de tinta azul e as árvores de verde e as cercas de rosinha. E antes que eu pudesse reclamar, pintou um sorriso amarelo na minha cara. Sorriso dorido...
Era uma estrela, passando rápida pela alameda. Espantou os grãos escuros e trouxe grãos de poeira colorida, como se um arco íris tivesse se desfeito e deixado para trás pó de todas as cores. Levanto de manhã cedinho para varrer a entrada, sempre cheia de areia brilhante.
Hoje, não sei mais viver. Não sei onde anda a estrela, e na sua ausência, as cores também foram embora. E voltaram a poeira cinza e o vento acinzentado e as nuvens escuras e a vida triste. E sumiu o sorriso. E já nem levanto mais, porque varrer a entrada não é mais importante.

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