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Amor, amor

Seus dedos pálidos tocaram a tampa da caixinha de música com carinho. Alisou a madeira, tirando a camada de pó, e abriu-a. Notas trêmulas invadiram o ar, que de tão velho, dava ao quarto uma pátina de sépia. Sabia que assistira à um concerto em que aquela música tocara, há um milhão de anos.
O vento fazia as cortinas endurecidas pelo tempo tremerem. Olhou por uns instantes para a janela, que fora fechada pelo lado de fora com grossas tábuas de madeira, que só deixavam o sol passar por pequenas frestas.
Quando tornou a olhar para a caixinha de música, viu algo brilhante, escondido por entre as camadas de veludo. Refletia uma luz azulada e pequenina, como se fosse uma fada se escondendo. Com as pontas dos dedos já envelhecidos e afinados pelo tempo, afastou o pano com cuidado.
- Ó, Joseph... Então foi aqui que você o escondeu.
Lágrimas brotaram de seus olhos. Ela apanhou o objeto e rolou-o entre os dedos, incerta, até por fim encaixá-lo no anelar esquerdo. Ficou olhando para a própria mão, embevecida, mergulhada em memórias doces e deixou escapar um sorriso. Apanhou sua bolsa e deixou a velha casa abandonada em passos firmes.
Depois de 40 anos da morte do seu primeiro amor, achara o anel de noivado que ele lhe prometera.

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