Pular para o conteúdo principal

Foge comigo?

Me dê sua mão, me siga por essa trilha. Vê, no final dela brilha um raio de sol. Não, não tema, que bifurcações virão. Te levarei sempre pelos caminhos que têm mais flores. Pode ouvir? Os passarinhos chamam o seu nome, só o seu.
Me dá a mão, vamos correr, que o vento bate nas folhas e traz esse burburinho, as árvores cochicham da beleza dos seus olhos. As andorinhas trouxeram um verão só pra você e eu, vem, que mal tem?
Cuidado com esses galhinhos que querem te arranhar, eles não compreendem a nossa corrida atrás da felicidade. Prendem nos cabelos e nas roupas, fazem barulho, twic, twic, twic, perguntando em euforia... Onde vão? Quem são? O que querem? Vamos aonde nossos pés nos levam. Sou nada e quem me acompanha, é tudo. Queremos a fuga descompromissada atrás de algo novo.
Trago uma cesta com frutas, que é pro meu amor não sentir fome. Trago uma estrela amarrada num lampião, que é pra iluminar quando anoitecer. Trago um pedaço de nuvem, pra descansar a cabeça, e um rouxinol mansinho que é pra eu ouvir cantar.
Deixa de lado isso tudo, vem pro lado de cá. Vai me dizer que o céu daqui não é mais bonito que o de lá? Mergulha comigo na grama, as folhas verdes fazem cócegas e o seu riso é o mais bonito de ouvir.
Vamos... foge comigo?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Encomenda

Metódico, cirurgicamente limpo, preciso. O sobretudo preto e a cartola de cetim da mesma cor; as delicadas luvas de pelica branca, tudo denotava sua classe. Era um assassino. E não era unicamente um assassino... era um gênio. O melhor e mais conhecido de todos os tempos, e além de tudo, o mais rico. Engraçado como essa noite não carregava sua maleta com seus preciosos instrumentos. Levava em uma das mãos sua bengala, engastada com pérolas negras; e na outra, um estranho embrulho branco. Era grande o suficiente para parecer um presente, mas a cobertura era uma tira de pano branco e simples. Não podia pertencer à nenhuma de suas amantes. Cuidadoso também nesse sentido, nunca deixara com que nenhuma delas sobrevivesse mais do que algumas noites de satisfação. Presenteava-as, claro, mas logo recuperava o lucro perdido. Até a noite em que a conhecera. Helena era uma figura mítica. Muito mais bela que Helena de Tróia, muito mais poderosa que qualquer rainha amazona. Seus cabelos de um ruivo ...

O Palhacinho

Volta e meia me pego olhando para aquela vitrine da antiga loja de brinquedos, que há muito foi fechada mas até hoje ninguém ousou arrombar e roubar. Os vidros já estão amarelados e tudo lá dentro está coberto de poeira, claro, mas os brinquedos parecem conter espíritos vivos dentro de si. De cada prateleira, seus olhos chamejam em nossa direção. De novo olhei para a estante de madeira escura e observei aqueles que sempre vinha ver, e podia jurar que mudavam de direção. Uma boneca, com ar sapeca e maravilhosos cabelos cor de rosa; um marionete de madeira, cujo títere sempre estava seguro em sua mão; e um palhacinho um tanto quanto macabro. Era um daqueles brinquedos educativos... Um poste coberto por aros coloridos de borracha, e na ponta, para segurar os aros, uma cabecinha sorridente de palhaço. Sempre me intrigava aquele brinquedo. Era o que mais parecia se mexer de propósito quando eu não estava olhando, e sorria de modo angelical lá da estante. Durante os últimos dias, tive até pe...

Ao amor

Ao meu precioso, peço desculpas por ter levado tanto tempo sem te levar em conta. Quando finalmente acordei para encarar que era você quem me movia, já era tarde demais. E quando achei que tinha encontrado minha ligação eterna com você, ela se transformou em cinzas diante dos meus olhos. Mesmo assim, tento te procurar nas pequenas coisas, e devo confessar que isso tem sido quase impossivelmente difícil, mas venho sobrevivendo há dias impossíveis há algum tempo. Aquele sopro de frio gelado sempre vem pela porta, mas agora tenho trancado-a à chaves toda vez que ele vem. Como eu te encontraria novamente, se partisse daqui? Da sua fiel amiga, Juliana.