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Jardineiro Fiel

Eu, terra infértil. Meus antigos frutos há muito secaram, e minhas raízes por muito pouco não morrem. Minhas flores? As pobrezinhas se foram há muito... Foram perdendo as cores, tornando-se ressequidas e sem perfume. Sempre estive aqui, e estarei até secar o suficiente para virar areia. Só assim, o vento incansável há de me empurrar através do mundo.
Enquanto isso não acontece, espero-o.
Talvez tão velho e ressequido em sua alma quanto eu, talvez igualmente tão triste. Ele vem de vez em quando, e essas visitas sorrateiras e vespertinas são o que me fazem continuar vivendo. Traz na mão um regador velho, enferrujado, cheio de orvalho fresco. Ah, o orvalho...
Há algum tempo, conversávamos. Ele tocava-me cheio de cuidados, esfarelava-me entre os dedos e suspirava. Perguntei "que há no regador, jardineiro?". Ele pensou, fumou seu cigarrinho de palha e pisou nele. "É cheio de orvalho que colho todas as manhãs".
Orvalho. Sei.
Algum dia ele me contará porque colhe todas aquelas lágrimas, e algum dia lhe contarei o bem que elas me trazem. Enquanto isso, espero seu regresso...

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