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Sofrimento Carmim

Os olhos eram cobertos por um lenço branco, que o permitia ver apenas o vulto dela. As mãos haviam sido atadas às costas e ele estava novamente de joelhos e nu naquele quarto mal iluminado. Por um segundo, ele sentiu o couro lamber suas costas rapidamente. A dor lancinante veio em seguida, mas ele trancou o maxilar para não deixá-la ouvir os gemidos.
Sentiu os lábios dela tocarem, silenciosos e sedentos, a carne avermelhada. Depois, a língua fez pequenos círculos em dos ombros e ele sentiu pingarem as gotas quentes da cera da vela perfumada que ela tanto gostava. Em seguida, as unhas que ele sabia pintadas cuidadosamente de vermelho brincaram com sua pele queimada arrancando os cuidadosos pingos.

Por que o torturava daquele jeito, se sabia que era seu modo preferido de ser castigado?

Seu lombo ardia agora, sob os golpes consecutivos do chicote de montaria. Ele respirava mais rápido e rápido sem emitir sons, e no quarto ecoava o barulho da pele sendo machucada. Até que em determinado momento, ela riu.
Aquela risada cristalina, como uma criança com um novo brinquedo, pela qual ele se apaixonara. Ah, se não fosse aquela risada! No mesmo instante, ele entreabriu os lábios e sussurrou entre os dentes:
- Continue, continue...
Ela riu mais alto, deixou que a cera escorresse por suas costas e, enquanto ele arfava, saiu do quarto - sem se despedir outra vez.

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