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À dor

À minha fiel companheira,
Sei que hoje não é tão comum nos encontrarmos. Ao mesmo tempo em que suspiro de alívio, estremeço por medo de ter me tornado mais fraca sem você. Quem sou eu sem a sua presença? Tenho minhas dúvidas. Sei que sua existência, por mais que pareça desagradável, também indicava que eu estava viva. O que cumpre essa função agora?
Nós estivemos tão interligadas que estou tendo dificuldades em me encontrar longe de você. Te procuro cegamente à noite, esperando cair em lâminas ao final do corredor escuro, atravessando a rua de olhos vendados, pulando refeições, me autodestruindo de várias formas. Sei que é ingratidão minha ter reclamado tanto e agora te querer de volta. Você me perdoa por ter te deixado?
Com carinho,
Juliana.

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