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Veneno

Coloquei as mãos no meu colo e abri meus dedos, as palmas viradas para cima. Enquanto as unhas longas das quais eu tinha tanto orgulho despontavam, meus dedos finos e pálidos pareciam tingir-se gradualmente de preto. Quando pingamos uma gota de tinta na água e ela se espalha, mas a água sou eu.
Estou apodrecendo. Lenta e continuamente. Eu que achava que tinha conseguido me lavar das marcas interiores que me faziam deteriorar antes, depois de raspar e desgastar a carne podre e acabar como um daqueles filhotes que nascem de um ovo com a carapaça tão mole e incolor que é a mesma coisa de estarem completamente nus, meu interior totalmente exposto e sensível e cru e torturado.
Percebi que nada tem a ver com as marcas envenenadas, embora elas definitivamente tenham acelerado o processo. A corrupção vem de dentro.

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