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Doce Paladar

Eles, e elas também, sempre vinham. Com seus rostos sedentos por luz, com seus lábios até molhados, sedentos por paixão. Seus olhos buscavam os meus, com medo e fome, suas bocas buscam a minha até hoje, com sede. Engraçado como a sede de cada um tinha um gosto diferente.
Havia aquele cuja boca cobria a minha, e cujos lábios tinham o simples gosto da carne humana... Nada de muito extraordinário. Havia aquela de boca macia e lábios gelatinosos. Um dos mais marcantes, era aquele cuja sede tinha gosto de perfume... Seu perfume era fortíssimo e embriagante, preso em mim até hoje.
Uma em particular chamou minha atenção. A sede daquela menina magrinha, de cabelos cortados à Chanel, que parecia tão cheia de si do outro lado do salão. O que era interessante não era sua sede de paixão... Era sua sede de contato. Seus lábios eram contidos ao alcançar os meus, mas falava como ninguém, e chegou a me apresentar para - vejam só! - todos os seus amigos.
Também houveram muitos que tinham simplesmente sede de aceitação. Ofereciam os lábios e a alma... Tão tolos. O monstro dentro de mim urgia de prazer ao descartá-los tão facilmente, pobres crianças. Acabavam sempre perdidos, pois eu lhes dava o doce e depois tirava sem qualquer aviso prévio.
Engraçado como eu nunca me perguntei do quê era feita minha sede, só sabia que precisava ser saciada e de modo urgente e brutal; ao melhor estilo vampiro da noite. Sentia através da pele virem os impulsos elétricos, que deixavam claro que era noite de caçada.
O caçador sempre fui eu.

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