Começa como um passeio na Roda Gigante. A gente sabe onde vai parar, mas mesmo assim dá aquele frio na barriga característico, a gente sente aquela sensação de mudança de pressão igual dentro de um elevador e parece que vai tocar as estrelas quando chega lá no alto. Quando se estabiliza, é como se a gente estivesse num Carrossel. Tudo é colorido, vai girando num ritmo gostoso... Até que enjôa. E aí que começa a Montanha Russa. Em alta velocidade, a gente vai do alto a baixo em um segundo, e no final, se pergunta se era aquilo mesmo que a gente queria. Sái com as pernas bambas, tremendo e suando frio. Mas o pior começa é quando a gente vai dormir, deita a cabeça no travesseiro, e entra no Túnel do Terror...
Volta e meia me pego olhando para aquela vitrine da antiga loja de brinquedos, que há muito foi fechada mas até hoje ninguém ousou arrombar e roubar. Os vidros já estão amarelados e tudo lá dentro está coberto de poeira, claro, mas os brinquedos parecem conter espíritos vivos dentro de si. De cada prateleira, seus olhos chamejam em nossa direção. De novo olhei para a estante de madeira escura e observei aqueles que sempre vinha ver, e podia jurar que mudavam de direção. Uma boneca, com ar sapeca e maravilhosos cabelos cor de rosa; um marionete de madeira, cujo títere sempre estava seguro em sua mão; e um palhacinho um tanto quanto macabro. Era um daqueles brinquedos educativos... Um poste coberto por aros coloridos de borracha, e na ponta, para segurar os aros, uma cabecinha sorridente de palhaço. Sempre me intrigava aquele brinquedo. Era o que mais parecia se mexer de propósito quando eu não estava olhando, e sorria de modo angelical lá da estante. Durante os últimos dias, tive até pe...
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