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Mostrando postagens de Dezembro 29, 2008

Prólogo

- Por que eu tenho de beber? - perguntou ela, cabisbaixa.
O Destino, aquele alto velho encapuzado, tocou-lhe os cabelos antes de responder com sua voz grave, que ecoou pelo cômodo vazio.
- Porque faz parte de sua sina, criança. Você foi escolhida para esvaziar a taça.
- Mas é amargo...
- Nada posso fazer, criança. É seu encargo.
Então, a garota foi virando lentamente a taça, engolindo seus terrores e sentindo a dor dilacerá-la por dentro. O Destino nada fez quando viu ela tombar, arfando, e a taça de cobre esverdeado rolar de sua mão. Apenas afastou-se, conferiu se as correntes estavam no lugar, olhou para o buraco no teto e saiu pelo mesmo lugar onde havia entrado.

A garota não tinha beleza alguma em seus traços, e ela se odiava com todas as forças. No entanto, vez ou outra, ela gostava de admirar o brilho translúcido de sua pele tão clara, ou a negrura dos cachos que pendiam de sua cabeça até seus ombros; no reflexo da poça que se formava perto dela.
Ela vivia num cômodo escuro, de p…